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Dizem que “a morte é a única certeza da vida”. Mas será mesmo? Há inúmeros exemplos de certezas absolutas que se mostraram absurdas ao longo da história. E recentemente, cientistas, grandes pensadores e empresas como o Google vêm trabalhando para colocar em xeque a “única certeza da vida”. Eles realmente não aceitam a morte e estão lutando para prolongar o máximo suas vidas. A ciência já demonstrou que muitos hábitos e alguns medicamentos estendem a vida dos seres humanos. Muitos outros medicamentos e tratamentos já estão a caminho. Então por que precisamos aceitar viver somente 70 anos, quando há tantas coisas... [Leia mais...]




A Batalha contra a Morte está ficando acirrada


A batalha para trair a morte está ficando quente

Michael Era consome 1.900 calorias por dia, 600 a menos do que o recomendado. O café da manhã é um grande prato de salada, iogurte e um bolinho “desenvolvido com precisão”. Em meras 100 calorias esse milagre da gastronomia moderna oferece 10% dos nutrientes necessários ao senhor Rae. O almoço é um ensopado de legumes e mais um bolinho. O jantar varia. Hoje ele espera ansioso por um cogumelo Portobello com berinjela e sálvia. Acompanha uma pequena taça de vinho tinto. Ele tem restringido a sua dieta dessa maneira há 15 anos.

Em alguns animais a restrição calórica desse tipo parece diminuir o risco de câncer e de doença cardíaca, diminuir a degeneração de nervos e prolongar a vida. O senhor Rae, que trabalha numa fundação antienvelhecimento na Califórnia, acredita que, se o que funciona para roedores, funciona para os humanos também, a restrição calórica poderia oferecer-lhe de sete a 15 anos extras de uma vida saudável. Nenhum teste clínico ainda provou ser esse o caso. Mas o senhor Rae diz que aqueles que mantêm uma restrição calórica têm a pressão sanguínea de uma criança de 10 anos de idade e as artérias tão limpas quanto um apito.

A “profunda sensação de bem-estar” que o senhor Rae diz sentir parece recompensa suficiente por suas privações. Mas a sua dieta, e a extensão de vida que ele espera que ela traga, são também um meio para um fim. O senhor Rae, que tem 45 anos de idade, acredita que avanços médicos radicais que podem não apenas desacelerar mas parar, ou reverter o envelhecimento, vão estar disponíveis em um futuro não tão distante. Se a restrição calórica leva-lo tão longe para beneficiar-se dessas maravilhas, então poucas décadas de privação podem traduzir-se em séculos adicionais de vida. Ele pode até mesmo alcançar o que Dave Gobel, chefe da Methuselah Foundation, uma entidade de pesquisa relacionada ao envelhecimento, chama de “velocidade de escape da longevidade”, o ponto no qual a expectativa de vida aumenta em mais de um ano a cada ano. Esse, ele acredita, é o caminho para a imortalidade, ou uma sensata aproximação dela.

Tudo isso permanece desvairadamente especulativo. Mas a restrição calórica é mais do que um caminho a ser provado para uma vida humana mais longa. Seus efeitos em animais, juntamente com evidência genética e farmacológica, sugere que envelhecer pode não ser tão somente um acúmulo de defeitos, mas um fenômeno por si só. Num estado natural esse fenômeno estaria sob o controle dos genes e do ambiente. Mas num mundo científico pode, em princípio, ser manipulado, seja por meio de mudanças no ambiente (ao que a restrição calórica se relaciona) ou por meio da entrada entre esses genes, e as vias metabólicas pelas quais eles são responsáveis, com drogas.

Um tratamento baseado em tais manipulações pode melhorar as perspectivas de uma vida mais saudável e maior de maneiras que drogas destinadas ao combate de doenças não podem. Eileen Crimmins, uma pesquisadora da University of Southern California, em Los Angeles, aponta para cálculos que mostram que a completa eliminação de doenças cardiovasculares apenas somaria 5.5 anos à expectativa de vida nos Estados Unidos, de maneira geral, e a eliminação de mortes por câncer, 3.2 anos. Isso porque as doenças competem entre si para matar as pessoas conforme elas envelhecem; se uma não pega você, outra vai. De acordo com a Dra. Crimmins, aumentar as expectativas de vida para além dos 95 anos requer uma abordagem que considere o todo, não só um predador em particular.

Algo que desacelerasse o envelhecimento poderia ser um meio. E se ele atrasasse o aparecimento de diversas doenças, poderia também reduzir a deficiência que vem com a idade. Um estudo de longo prazo em curso na Newcastle University tem observado a saúde e o envelhecimento de aproximadamente 1,000 pessoas agora com 85 anos. Nesse ponto, eles têm em média de quatro a cinco problemas de saúde. Nenhum deles está livre de alguma doença. A maioria dos pesquisadores na área não levam a sério a conversa sobre velocidade de escape e imortalidade. Mas eles consideram seriamente a perspectiva de idosos mais saudáveis aos 85 anos de idade e expectativas de vida estendidas em uma década ou mais, e isso já é surpresa o bastante.

Indícios de imortalidade

Antes de descobrir se drogas antienvelhecimento podem ser capazes de oferecer tais coisas, no entanto, os pesquisadores precisam solucionar um enigma regulamentar assustador. No momento as agências que permitam que drogas sejam vendidas não consideram o envelhecimento per se como um indício para terapia. É, afinal de contas, algo que acontece a todos, o que faz com que seja mais difícil enxergar tal coisa como uma doença para a qual pesquise-se uma cura, ou mesmo uma condição com necessidade de tratamento. A menos que o envelhecimento seja tratado como um indício, drogas antienvelhecimento não podem receber aprovação regulamentar. E há pouco incentivo para trabalhar em drogas que você não pode vender.

Se os reguladores decidissem mudar sua posição, no entanto, o interesse seria imenso. Uma condição que afeta a todos é um grande mercado em potencial tanto quanto se possa imaginar. E há indícios de que a posição pode, de fato, estar mudando. Duas drogas existentes aprovadas para outras finalidades – a metformina, muito usada e bem tolerada como tratamento para diabetes, e a rapamicina, que reduz o risco de órgãos transplantados serem rejeitados – parecem a alguns pesquisadores poderem ter efeito semelhantes àqueles relacionados à restrição calórica. Em 2014, um estudo com 90 mil pacientes idosos com diabetes tipo 2 descobriu que aqueles recebendo metformina tinham maiores taxas de sobrevivência do que aqueles que não recebiam. Outro trabalho mostrou que o seu uso está associado com um decréscimo do risco de câncer.

Cientistas no Institute for Ageing Research, na Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, querem aumentar o teste com a metformina em idosos para ver se ela atrasa o aparecimento de várias doenças (e também da morte). Se esse for o caso, irá demonstrar que existe um processo de envelhecimento generalizado que pode ser manipulado com drogas. Nir Barzilai, um dos pesquisadores envolvidos, diz que uma importante razão para a realização do teste é ter um indício de quais drogas da próxima geração de fármacos antienvelhecimento podem ser avaliadas pelos reguladores.

Esse tipo de interesse parece estar despertando uma mudança no tom da Food and Drug Administration, a agência reguladora de alimentos e drogas dos Estados Unidos, em relação a aprovar uma droga antienvelhecimento. A agência está pensando sobre quando uma ampla, e até então sem precedente, afirmação de droga antienvelhecimento pode ser considerada com o apoio da evidência; está “ansiosa para ver essa área da ciência evoluir”. Na linguagem seca de uma agência governamental, essas são palavras encorajadoras.

Se uma dia não regulamentada pode fazer a mágica, por que o muda precisa de drogas? Três razões. Primeiro, ingerir poucas pílulas ao dia vai ser mais fácil do que subsistir a bolinhos de baixa-caloria e saladas. Segundo, empresas podem ganhar dinheiro produzindo pílulas e vão competir para desenvolvê-las. Terceiro, pílulas funcionam melhor do que dietas. O doutor Barzilai, que atua no campo das pílulas, afirma que a restrição calórica tem uma funcionalidade menor em primatas do que em outros mamíferos, e que pessoas com menores índices de massa corporal, uma condição natural daqueles que restringem suas dietas, têm mais chances de morrer. Aqueles que se dão bem com a restrição calórica, ele diz, são os que se beneficiam de um melhor todo genético. A esperança dele é de que uma ampla variedade de terapias possa permitir a todos a experiência desses benefícios.

Se acontecer, vai ser por meio de mudanças induzidas no metabolismo. Já se sabe há mais de 20 anos que a alteração do gene daf-2 em lombrigas desacelera seu envelhecimento e duplica sua expectativa de vida; agora sabe-se que outro gene, o daf-16, é necessário para realizar esse trabalho. Genes equivalentes em humanos são responsáveis pelos receptores celulares de insulina, hormônios com funções metabólicas importantes. O equivalente humano do daf-2 para ser ativado pela restrição calórica. Descobriu-se que pessoas que vivem muito compartilham determinadas variantes da versão humana do daf-16.

Outro efeito da restrição calórica é a desativação da mTOR, uma proteína que ajuda a transmitir sinais dos hormônios do crescimento para partes das células envolvidas na síntese de proteína. Ela desempenha um papel de reguladora no metabolismo, divisão e crescimento celular, e previne o descontrole de células danificadas. Quando a comida é abundante, a mTOR estimula a divisão e o crescimento celular.

Introjetando a mudança

Essas linhas de pesquisa sugerem que, em animais nos quais a restrição calórica funciona bem, ela faz com que as células mudem de um regime no qual elas se concentram no crescimento para um no qual elas se concentram num reparo próprio. Nesse segundo modelo, os danos celulares acumulam-se mais lentamente, o que significa que elas envelhecem menos. Drogas que parecem ter um efeito sobre o envelhecimento têm efeito semelhante. A metformina age sobre um número de receptores hormonais que também são afetados pela restrição calórica; a rapamicina funciona numa via que recebe seu nome a partir de uma proteína que é o “alvo da rapamicina”: a mTOR. A redução da funcionalidade da mTOR expande a vida de leveduras, vermes e moscas. Em 2009, trabalhos em inúmeros laboratórios mostraram que a rapamicina pode estender o tempo de vida de ratos de meia-idade em até 14%.

Alexander Zhavoronkov, o chefe da Insilico Medicine, uma empresa no campo da longevidade, diz que ele tem testado a rapamicina nele mesmo (a autoexperimentação não parece algo incomum na área). Mas ele afirma que é necessário ter um conhecimento significante em biomedicina para fazer isso com segurança. A droga tem severos efeitos colaterais; roedores tratados com ela sofrem de resistência à insulina e de imunossupressão. Isso é bom quando se previne a rejeição de órgãos transplantados – o atual uso medicinal da droga – mas não tão bom em pessoas saudáveis. Pensa-se que baixas doses podem preservar os benefícios da droga e limitar os efeitos colaterais.

Há outras drogas, no entanto, que têm como alvo a mesma via, com pequenas desvantagens. Uma delas, o resveratrol, causou grande agitação entre pesquisadores da longevidade poucos anos atrás, porque manteve ratos, em dietas ricas, mais jovens. Muito do interesse inicial foi por água abaixo desde a descoberta de que ela é menos efetiva em ratos que não estão acima do peso, mas ainda continua a ser estudada como um tratamento para a doença de Alzheimer.

David Sinclair, da Harvard Medical School, que fez parte do entusiasmo inicial, a descreve como uma droga “sacana”, uma vez que tem vários alvos dentro da célula. Dentre eles estão um conjunto de proteínas conhecidas como sirtuínas, que parecem ser ativadas pelo resveratrol. O doutor Sinclair criou uma companhia, a Sirtris Pharmaceuticals, para investigar o potencial das drogas que miram esses alvos. A GSK, uma companhia farmacêutica britância que comprou a Sirtris em 2008, continua a fazer esse trabalho, embora até a presente data não tenha obtido tantos resultados quanto outrora esperara.

As sirtuínas podem agir como sensores metabólicos, e um grande número delas é encontrado exclusivamente nas mitocôndrias, as estruturas celulares responsáveis pela respiração e que têm papel central no desenvolvimento conceitual do envelhecimento celular. Thomas von Zglinicki, da Newcastle University, diz que células envelhecidas são caracterizadas por danos mitocondriais e têm dificuldade na reparação de danos ou o maquinário celular corrompido. Elas produzem fatores pró-inflamatórios chamados citocinas que fazem com que as células vizinhas também envelheçam; a inflamação crônica e progressiva desse tipo causa várias doenças relacionadas com a idade.

João Passos, também da Newcastle University, diz que as células das quais as mitocôndrias são removidas começam a parecer mais jovens e param de secretar citocinas. Outro trabalho demonstrou que a remoção das mitocôndrias pode reproduzir alguns dos efeitos das drogas que ativam a renovação mitocondrial – como a rapamicina. Uma rotatividade acelerada de mitocôndrias parece melhorar seu funcionamento.

Dados contra a morte

Tais descobertas em biologia celular e molecular beneficiaram o interesse comercial pela longevidade. Bem como os dados de centenas de milhares de genomas sequenciados. A Insilico Medicine, do doutor Zhavoronkov, com sede em Baltimore, tem se utilizado da aprendizagem mecânica sobre várias pilhas de dados genômicos publicados para compreender as diferenças entre os tecidos de pessoas jovens e idosas e observar como os padrões de expressão genética evoluem ao passo que as pessoas envelhecem. Depois procura-se, em dados sobre drogas, por moléculas que podem bloquear os efeitos dos genes que considera-se importantes.

A força a ser reconhecida neste campo, porém, é Craig Venter, pioneiro no sequenciamento genético. Em 2013 ele fundou a Human Longevity Inc (HLI), com sede em San Diego. Como a Insilico, a HLI quer peneirar dados genômicos; mas o faz em uma escala muito maior, gerando ela mesma os dados genômicos e combinando-os com detalhes fisiológicos e de aparência. Venter espera que isso permita à empresa desfazer-se da genética da longevidade e passar a prever quanto tempo as pessoas vão viver. A pesquisa na HLI já descobriu que algumas variações genéticas estão ausentes em pessoas mais velhas, uma descoberta que implica que tal característica possa estar ligada à expectativas de vida mais curtas. Empresas como a Celgene e a AstraZeneca, que trabalham no desenvolvimento de medicamentos, fizeram ofertas para colaborar com a HLI. Venter diz que a HLI pode, eventualmente, passar para o a área de negócios farmacológicos.

Para aqueles que não podem esperar pelas drogas, a HLI dispõe de um serviço de "bem-estar" de alto-padrão chamado Health Nucleus. Com preços a partir de US$ 25 mil dólares, oferece ao cliente uma constelação de testes de ponta, incluindo uma sequência genética completa e uma bateria de testes que apontam sinais de câncer, Alzheimer e doença cardíaca. A grande variedade de testes significa uma grande variedade de possibilidades de resultados "falso-positivos"; mas os clientes afluentes do Health Nucleus podem preocupar-se menos com acompanhamentos que revelam falsos alarmes do que outras pessoas podem.

Em 2013, a Google (agora Alphabet) deu início a um empreendimento chamado California Life Company, ou Calico, a fim de adotar uma abordagem radical sobre o antienvelhecimento; a empresa anunciou que vai investir até US$ 750 milhões de dólares no negócio. A Calico é uma empresa de desenvolvimento de drogas muito mais disposta a falar sobre os grandes cientistas que tem em seu elenco, como Cynthia Kenyon, grande biotecnóloga, e sobre o histórico do seu chefe, Arthur Levinson, que costumava comandar a Genentech, uma gigante da biotecnologia, do que sobre o que realmente faz. Mas anunciou uma série de colaborações, a mais significativa delas sendo um contrato de dez anos com a Abbvie, uma empresa farmacêutica com sede em Chicago, com foco em câncer e doenças degenerativas do sistema nervoso.

Degeneração leva a pensamentos de regeneração. Até mesmo os adeptos mais entusiastas da ideia de desacelerar o envelhecimento por meio da dieta ou da farmacologia têm que admitir que não vai ser possível manter as pessoas vivendo para sempre. Na melhor das hipóteses, podem permitir que elas envelheçam mais devagar do que as pessoas envelhecem naturalmente. E torna-se mais improvável que mesmo o mais eficaz dos métodos aumente a expectativa de vida para além dos 120 anos de idade, porque esse parece ser, mais ou menos, o limite natural da vida humana. Melhorias na medicina e no bem-estar significam muito mais pessoas em seus 90 e 100 anos vivendo atualmente do que outrora. O número de pessoas em seus 130, no entanto, continua teimosamente no zero.

Muitas terapias com células-tronco têm seguido rapidamente para testes clínicos sob a rubrica de "medicina regenerativa". Tanto a Calico, como a HLI são ativas nesse campo. Pesquisas mostram que células nervosas crescidas a partir de células-tronco embrionárias e transplantadas em ratos com uma doença equivalente ao Mal de Parkinson se proliferaram e começaram a liberar dopamina, que é o que tais ratos e pessoas têm em falta. Roger Barker, da Univiveristy of Cambridge, recentemente tratou de um homem com Parkinson dessa maneira. A ReNeuron, sediada em Bridgend, no País de Gales, faz testes designados para descobrir a eficácia das células-tronco como um tratamento para sequelas deixadas pelo derrame. Apesar dos riscos de terapias não regulamentadas, centenas de clínicas em todo o mundo já estão na corrida para oferecer "tratamentos" para as doenças da idade. Isso não é de surpreender. É historicamente uma área rica em esperança, propaganda e charlatanice, e vai levar algum tempo para que uma pesquisa bem-fundamentada "limpe os estábulos" - se, de fato, conseguir.

Outra possibilidade regenerativa vem de estudos que encontram sinais de rejuvenescimento em animais idosos expostos ao sangue de animais mais jovens. Infusões de plasma sanguíneo de jovens têm sido utilizadas em alguns pacientes com Alzheimer na Califórnia. Uma startup chamada Ambrosia, com sede em Monterey, recentemente começou a fazer "testes" dessa tal terapia com participantes saudáveis ​​que pagam US$ 8 mil dólares para participar; críticos afirmam que eles são tão carentes de controle que não têm susceptibilidade de gerar qualquer informação útil. Se genes específicos são benéficos, então a terapia genética, ou de edição de genes, poderia revelar-se um terreno fértil; e o trabalho para tal fim já foi iniciado em camundongos. Alguns não vão esperar. Elizabeth Parrish, chefe de uma empresa de biotecnologia chamada BioViva, afirma que ela já deu a si mesma uma terapia genética antienvelhecimento.

Para além desse horizonte

A extensão na qual qualquer uma dessas tecnologias vai ser útil, vai depender da idade daqueles em que elas serão utilizadas. A possibilidade de mudar radicalmente a vida útil de uma pessoa de 65 anos é muito menor do que a de uma de 20, e menor ainda a de um embrião. Mas a quantidade perdida em cada uma das tentativas erradas sobe à mesma medida.

A ideia de que a biotecnologia radical pode nos levar a viver um tempo mais longo do que o de Jeanne Calment, uma francesa cuja longevidade útil, de 122 anos, nunca foi superada, parece, na melhor das hipóteses, uma especulação plausível. Dizer - como Aubrey de Grey, um fanático pela imortalidade, já disse - que a primeira pessoa a viver 1.000 anos, provavelmente, já tenha nascido, parece totalmente bizarro. Mas, se pensarmos a história por meio da vida de Calment, podemos hesitar. Quando ela nasceu, em 1875, a teoria do germe da doença, ou teoria patogênica, ainda era uma novidade e ninguém nunca tinha pronunciado a palavra "gene". Quando ela morreu, em 1997, o genoma humano estava quase sequenciado. Toda a medicina moderna e psiquiátrica, salvo a anestesia de uso geral, foi desenvolvida durante a sua vida. Se uma menina nascida hoje fosse viver tanto tempo - e por que não? - ela chegaria a ver o mundo de 2138. As capacidades da medicina em tal ponto ainda serão, certamente, limitadas. Mas ninguém pode adivinhar que limites serão esses.

Fonte: http://www.economist.com/news/briefing/21704788-fight-cheat-death-hotting-up-adding-ages?fsrc=scn/fb/te/pe/ed/addingages  

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