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Dizem que “a morte é a única certeza da vida”. Mas será mesmo? Há inúmeros exemplos de certezas absolutas que se mostraram absurdas ao longo da história. E recentemente, cientistas, grandes pensadores e empresas como o Google vêm trabalhando para colocar em xeque a “única certeza da vida”. Eles realmente não aceitam a morte e estão lutando para prolongar o máximo suas vidas. A ciência já demonstrou que muitos hábitos e alguns medicamentos estendem a vida dos seres humanos. Muitos outros medicamentos e tratamentos já estão a caminho. Então por que precisamos aceitar viver somente 70 anos, quando há tantas coisas... [Leia mais...]




Idade e mobilidade preveem morte melhor do que 'relógio molecular'


Os telômeros - que são tampas de proteção sobre as extremidades dos nossos cromossomos - são sequências de DNA que geralmente reduzem com a idade, agindo como um "relógio molecular" em células humanas. Toda vez que as células se dividem os telômeros encurtam, até que se tornem extremamente curtos e sinalizem à célula que pare de se dividir. Por estas razões, tem havido grande interesse na capacidade deste biomarcador em predizer a mortalidade.

Avanços na tecnologia permitem que os cientistas mensurem detalhes complexos sobre o corpo humano, que melhoram muito a compreensão da saúde, das doenças e do envelhecimento.

No entanto, quando se trata de prever a morte, medidas mais rudimentares como a idade de uma pessoa ou a capacidade que ela tem para subir escadas ou caminhar uma curta distância são preditores mais poderosos de sobrevivência do que certos biomarcadores, de acordo com um estudo publicado na PLOS ONE por pesquisadores da Universidade de Princeton, Universidade de Georgetown, Universidade de Washington, Universidade de Stanford, Universidade da Califórnia, Berkeley, e Universidad de Costa Rica.

Usando dados dos Estados Unidos, Costa Rica e Taiwan, os pesquisadores compararam um amplo conjunto de preditores como idade mais provável para morte, hábitos de fumo e mobilidade, com o comprimento dos telômeros – sequências de DNA que geralmente encolhem com a idade.

Décadas atrás, os pesquisadores descobriram que os telômeros – que são capas protetoras nas extremidades dos nossos cromossomos – agem como um "relógio molecular" em células humanas. Toda vez que as células se dividem os telômeros encurtam, até que se tornem extremamente curtos e sinalizem à célula que pare de se dividir. O comprimento dos telômeros é normalmente medido em células brancas do sangue (leucócitos), e os telômeros de leucócitos mais curtos têm sido associados a doenças, envelhecimento e morte. Por estas razões, tem havido grande interesse na capacidade deste biomarcador em predizer a mortalidade.

Depois de avaliar os dados, a equipe de pesquisa descobriu que usar o comprimento dos telômeros para prever a morte de um humano não era muito melhor do que "tirar no cara ou coroa". A idade cronológica era, de longe, o melhor preditor da morte em todos os três países.

"As evidências cientificas a respeito do comprimento do telômero foram sensacionalizadas e, em alguns casos, exagerada pela mídia e pelas empresas que capitalizaram em cima dessas pesquisas para vender produtos que podem ter prometer mais do que podem entregar", disse a autora principal Dana A. Glei, uma pesquisadora sênior do Centro de População e Saúde da Universidade de Georgetown. "Foi isso que intensificou nossa pesquisa. Nós queríamos determinar se o comprimento do telômero poderia prever a mortalidade melhor do que outros métodos já bem estabelecidos de expectativa de sobrevivência, dos quais a maioria é menos invasiva e muito menos trabalhosa de avaliar."

"Nós ficamos surpresos que a maioria dos indicadores tenha superado o comprimento de telômero, incluindo as medidas autorreportadas de saúde e mobilidade, uma avaliação de funções cognitivas, fumo, exercícios, um marcador inflamatório e uma medida das funções renais", disse Noreen Goldman, professora Hughes-Rogers de Demografia e Relações Públicas da Woodrow Wilson School de Relações Pública e Internacional, em Princeton, e professora associada ao Instituto de Pesquisa Populacional.

Descobrimos que o chamado 'relógio molecular' era tão potente quanto um pêndulo em se tratando de predizer a mortalidade em cinco anos - ao menos entre humanos mais velhos", disse a coautora Maxine Weinstein, renomada professora do Centro de População e Saúde, da Universidade Georgetown.

Os pesquisadores utilizaram dados do Exame Nacional de Nutrição e Saúde, dos Estados Unidos, do Estudo sobre Longevidade e Envelhecimento Saudável, da Costa Rica, e do Estudo sobre Sócioambiente e Biomarcadores do Envelhecimento, de Taiwan. Eles analisaram mortes num período de cinco anos, após ter o comprimento dos telômeros medido em indivíduos mais velhos: de 60 anos para cima, nos EUA; de 61 anos para cima, na Costa Rica; e de 53 anos para cima, em Taiwan.

Em cada país, os pesquisadores testaram o comprimento dos telômeros com um amplo conjunto de indicadores de morte bem estabelecidos. Incluíam-se dados demográficos básicos (idade, sexo), fatores sociais (estado civil, educação e integração social), comportamentos relacionados à saúde (tabagismo, exercício), dados autorrelatados sobre a saúde (gastos em geral, mobilidade física, limitações com atividades da vida diária, histórico de diabetes e câncer, o número de hospitalizações no ano passado), um teste cognitivo administrado pelo entrevistador e vários biomarcadores, incluindo pressão arterial; colesterol; hemoglobina glicosada, que é usada para monitorar o diabetes; índice de massa corporal; proteína C-reativa, que é produzida no fígado em resposta à inflamação; e creatinina no soro, que indica função renal.

A análise estatística demonstrou que, embora o comprimento dos telômeros estivesse relacionado à sobrevivência em todos os três países, ele classificou-se abaixo do que muitos dos outros preditores em se tratando de sua capacidade para distinguir entre aqueles que morreram e os que sobreviveram ao longo dos cinco anos. Não surpreendentemente, a idade foi a melhor medida de prognóstico em todos os países; mobilidade autorreferida, logo atrás.

Porque o comprimento dos telômeros está fortemente relacionado à idade e ao sexo, os pesquisadores precisavam agora investigar como ele se sairia na predição de mortalidade quando esses fatores eram levados em conta. Quando os pesquisadores relacionaram idade e sexo, eles descobriram que o comprimento dos telômeros classificava-se próximo ao fim da lista. Foi o 15º em 20, na Costa Rica, e 17º em Taiwan e nos EUA. Os resultados mostraram que 13 outros indicadores poderiam prever a mortalidade mais precisamente do que o comprimento dos telômeros, em todos os três países.

"Para provar o seu valor, o biomarcador “da moda” deve nos dizer mais do que nós já sabemos com base em observáveis mais simples. Se a previsão de mortalidade é o objetivo principal, o comprimento dos telômeros provavelmente não seja a melhor ferramenta", disse Glei.

Os pesquisadores observam algumas limitações potenciais dos resultados. As pessoas que estão gravemente doentes podem apresentar alterações na distribuição de diferentes tipos de leucócitos que faz com que seus telômeros pareçam mais longos. Neste estudo, o comprimento dos telômeros é medido em leucócitos, o que é comum na maioria das pesquisas. No entanto, alguns tipos de leucócitos tendem a ter telômeros mais longos do que os outros.

"O comprimento do telômero tende a ser maior no tipo de leucócito que se torna mais dominante quando uma pessoa está doente. Portanto, uma pessoa doente pode parecer ter comprimento “maior” dos telômeros, mas isso é enganoso. Na verdade, esses indivíduos gravemente doentes têm muito mais chances de morrer num curto prazo de tempo, apesar da aparência de telômeros mais longos”, disse Glei.

É também plausível que o comprimento dos telômeros seja um melhor indicador de mortalidade a longo prazo, em comparação com a sobrevivência a curto prazo, uma vez que reflete o processo gradual de envelhecimento celular.

"Alternativamente, o comprimento dos telômeros pode ser um preditor de mortalidade apenas para determinados grupos de pacientes, como aqueles com câncer", disse a coautora Rosa Ana Risques, professora assistente de patologia na Universidade de Washington. "Uma possibilidade interessante é a de que o comprimento dos telômeros pode não ser um bom preditor de mortalidade, mas poderia ser um bom preditor de um envelhecimento saudável. A evidência crescente demonstra que telômeros mais curtos estão associados com doença cardiovascular, mas pesquisas adicionais são necessárias para esclarecer a associação entre o comprimento dos telômeros e outras doenças do envelhecimento, como câncer ".

"Outra possibilidade é que a mudança no comprimento dos telômeros pode ser um preditor mais poderoso do que a nossa medição, feita de uma só vez", disse Weinstein.

Os autores concluem que, embora o comprimento dos telômeros possa vir a eventualmente ajudar cientistas na compreensão do envelhecimento, ele não é tão poderoso em prever a morte para além de um período de tempo de cinco anos, como outras medidas básicas mais facilmente obtidas – ao menos entre os seres humanos mais velhos.

"É muito mais fácil e menos dispendioso perguntar a idade de uma pessoa do que fazer a coleta de sangue, extrair DNA e medir o comprimento dos telômeros", disse Glei.

Embora estas medidas básicas não necessariamente possam identificar as causas da doença, a capacidade de prever com precisão a mortalidade pode ser muito valiosa para os médicos que aconselham seus pacientes sobre os riscos e benefícios de um tratamento potencial. Para fins de prognóstico, os médicos muitas vezes dependem de preditores convencionais, como idade, sexo e condição física. Estes resultados fornecem nenhuma evidência para sugerir que os médicos devem começar a testar o comprimento dos telômeros em um esforço para melhorar os seus prognósticos de sobrevivência.

"Na internet, vendem-se kits para testar o comprimento de seus próprios telômeros e suplementos que são indicados como ajuda para conservá-los. Alertamos que os compradores devem ficar atentos", disse Glei.

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