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Dizem que “a morte é a única certeza da vida”. Mas será mesmo? Há inúmeros exemplos de certezas absolutas que se mostraram absurdas ao longo da história. E recentemente, cientistas, grandes pensadores e empresas como o Google vêm trabalhando para colocar em xeque a “única certeza da vida”. Eles realmente não aceitam a morte e estão lutando para prolongar o máximo suas vidas. A ciência já demonstrou que muitos hábitos e alguns medicamentos estendem a vida dos seres humanos. Muitos outros medicamentos e tratamentos já estão a caminho. Então por que precisamos aceitar viver somente 70 anos, quando há tantas coisas... [Leia mais...]




A tecnologia vai nos ajudar a viver para sempre?

Gladys Hooper, 113 anos, pessoa mais velha da Grã-Bretanha, nasceu no ano em que os irmãos Wright inventaram o primeiro projeto bem-sucedido de um avião

Esta semana, Yasutaro Koide, de 112 anos de idade, morreu no Japão, passando o seu título de homem mais velho do mundo a um compatriota, Masamitsu Yoshida, de 111. Estes homens são parte de um dos clubes mais exclusivos da Terra – o dos supercentenários, ou humanos que viveram para além dos 110 anos de idade.

De acordo com o Gerontology Research Group (Grupo de Pesquisa em Gerontologia), que armazena dados sobre estes raros indivíduos, até o ano de 2015 havia 82 supercentenários no mundo. Há décadas os cientistas são obcecados pelos segredos de uma vida longa - o que atrasa o relógio do corpo, geralmente implacável? Que pistas genéticas podem revelar a chave para prolongar a nossa longevidade?

Em 2012, as Nações Unidas estimaram que havia cerca de 316.600 pessoas vivendo com idade superior a 100. Em 2050, as tecnologias médicas vão aumentar esse número para mais de três milhões.

A busca pela imortalidade não é atividade de um nicho acadêmico. É uma área próspera da inovação tecnológica, financiada fortemente por um grupo inesperado – o dos bilionários da tecnologia.

Fundadores das empresas mais conhecidas do mundo, da Google ao Paypal e à Oracle, estão injetando centenas de milhões de dólares no desafio contra a morte. Um dos mais generosos financiadores é Larry Ellison, fundador e presidente-executivo da Oracle, que doou uma quantia estimada em 45 milhões de dólares anuais por mais de uma década para resolver o problema do envelhecimento.

Sergey Brin, cofundador da Google, já teria doado cerca de 50 milhões de dólares para a cura de doenças relacionadas à "velhice", como o Parkinson, depois de um teste genético descobrir que ele corria o risco de desenvolver a doença. Por sua vez, o astro da tecnologia e cofundador do Paypal, Peter Thiel, doou 6 milhões de dólares para a Sens Foundation, que investiga a longevidade, afirmando que sua intenção para com a morte é "combatê-la."
Se os avanços tecnológicos podem nos ajudar a viver por mais tempo, é coisa fora de questão – isso nós já provamos ser possível. Em 1900, você teria sorte se vivesse até os 50 anos; hoje, a expectativa de vida de um britânico é de 81 anos.

Embora os cientistas acreditem na existência de um limite máximo de tempo em que os corpos humanos possam funcionar, pesquisas sugerem que este salto significativo em relação à expectativa de vida anterior é resultado de tecnologias médicas e inovações sociais, ao invés de ocorrerem por uma mudança evolutiva. Se formos capazes de interromper o processo de envelhecimento das células, e revertê-lo, poderemos potencialmente viver indefinidamente.

Mas esqueça a imortalidade. Viver para além dos 100 anos de idade será rotina no futuro próximo; é provável que a nova geração de supercentenários já esteja viva hoje, e ainda continuará por volta de 2100.

E uma vez que os nossos anos produtivos vão ser estendidos para muito além das atuais idades de aposentadoria, as empresas e os governos precisam começar a se preparar para o inevitável despertar da força de trabalho global.

Então, quais são as tecnologias mais futuristas que podem nos ajudar a viver para além dos 100 anos? Atualmente, apesar de vivermos mais tempo, lutamos com doenças crônicas que aparecem com a idade, como o câncer e a doença de Alzheimer.

As propostas são abrangentes e vão desde o tratamento dessas doenças, a encontrar a chave genética para o envelhecimento.

Nesta última área, os pesquisadores têm testado de tudo, de hormônios a drogas que revertem a morte celular, até a uma macabra abordagem vampiresca – que transfere o sangue de um jovem para um idoso.

Vários medicamentos têm tido uma drástica influência na longevidade de camundongos, e o próximo passo será testá-los em seres humanos. Por exemplo, uma droga de nome rapamicina, utilizada em transplante de órgãos, conseguiu aumentar a expectativa de vida de ratos em até 25%, além de protegê-los contra o câncer, e o resveratrol, uma molécula encontrada no vinho tinto, pode ter impactos sobre o metabolismo celular.

Um estudo publicado no início deste mês descobriu que um hormônio chamado FGF21 aumenta a longevidade de ratos em até 40% e os protegem contra o declínio da imunidade relacionado ao envelhecimento.

Um teste em seres humanos, em curso na Universidade de Stanford, chefiado pelo professor de neurologia Tony Wyss-Coray, realiza transfusões de sangue de jovens em pacientes com Alzheimer, para ver se estes conseguem recuperar suas faculdades cognitivas. Os dados encontram-se ainda em processo de análise, portanto não há veredicto.

Em 2013, a Google decidiu intervir. Criou uma nova empresa, chamada Calico – California Life Company –, com o intuito de prolongar a vida útil e saudável dos seres humanos.

Apesar da agitação do Vale do Silício em torno da iniciativa da Google em querer "interromper a morte", o objetivo é mais sensato: dar aos seres humanos, pelo menos, algumas décadas mais produtivas, livres de doenças.

Até agora, a Alphabet, empresa matriz da Google, investiu cerca de 730 milhões de dólares na pesquisa e no desenvolvimento da startup, que tem parceria com universidades e farmacêuticos para criar produtos comerciais que prolonguem a vida.

Os projetos incluem encontrar marcas genéticas relacionadas à longevidade em centenários, e desenvolver tratamentos para a doença de Alzheimer e de Parkinson.

Em duas semanas, a Alphabet, empresa guarda-chuva que engloba a Google, a Calico e várias outros sub-empresas, irá anunciar os resultados financeiros da Calico pela primeira vez.

Este não é o único grande esforço corporativo por trás da pesquisa relacionada à longevidade: o pioneiro geneticista Craig Venter - a primeira pessoa a sequenciar um genoma humano completo – deu início a uma companhia com o empresário Peter Diamandis, de nome Human Longevity Institute (Instituto de Longevidade Humana). Seus estudos estão focados unicamente na genética do envelhecimento, semelhante à abordagem farmacêutica da Calico.

Venter quer sequenciar os genomas de 1 milhão de pessoas até 2020, incluindo os de supercentenários, e analisar padrões no conjunto de dados a fim de procurar por marcas genéticas da longevidade.

O Instituto vai oferecer serviços comerciais em sequência de genoma, semelhante a empresas como a 23andMe, e já tem uma parceria com seguradoras de saúde para oferecer um desconto em troca do sequenciamento.

Enquanto os cientistas pensam em maneiras de solucionar o mistério da vida, vamos considerar o que acontece em seguida. Em um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, pesquisadores e empresários imaginaram o futuro do trabalho em 2100, onde todos poderiam viver até a idade de 200 anos.

Neste cenário, forçar as pessoas a pararem de trabalhar aos 60 seria ridículo; as idades atuais para aposentarem-se ficariam obsoletas.

Para que as pessoas possam sustentar-se durante décadas a mais, as famílias terão de ter vários membros ativos, a fim de revezarem-se em diversas carreiras de tempo integral em uma única vida.

Grandes corporações terão de começar a permitir que você traga um pai idoso para o trabalho, assim como fazemos com as crianças ou animais de estimação. Escritórios vai criar creches para as pessoas com enfermidades físicas ou cognitivas.

Em última análise, nós podemos nunca descobrir o código para a vida. Hormônios, drogas, transfusões de sangue e órgãos de autocrescimento poderiam nos dar mais 100, até 200 anos de vida, mas a imortalidade provavelmente nos fique fora de alcance.

No entanto, ao longo do caminho, essas tecnologias vão descobrir curas e tratamentos para algumas das doenças crônicas mais miseráveis da humanidade, o que pode nos permitir terminar nossos dias com dignidade. Isso será mais do que suficiente.

(Texto original de Madhumita Murgia em The Telegraph)

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