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Dizem que “a morte é a única certeza da vida”. Mas será mesmo? Há inúmeros exemplos de certezas absolutas que se mostraram absurdas ao longo da história. E recentemente, cientistas, grandes pensadores e empresas como o Google vêm trabalhando para colocar em xeque a “única certeza da vida”. Eles realmente não aceitam a morte e estão lutando para prolongar o máximo suas vidas. A ciência já demonstrou que muitos hábitos e alguns medicamentos estendem a vida dos seres humanos. Muitos outros medicamentos e tratamentos já estão a caminho. Então por que precisamos aceitar viver somente 70 anos, quando há tantas coisas... [Leia mais...]




Empresas farmacêuticas trocam marchas: um novo mercado, chamado 'a fonte de juventude', emerge



O botox da Allergan foi o primeiro produto a mudar o rosto de mulheres e homens na última década. Hoje vemos todo um conjunto de empresas desenvolver mágicas poções farmacêuticas para fazem com que as pessoas sintam-se e pareçam eternamente jovens. A busca por um elixir mágico para prolongar a vida não parece ser realmente "mágica" e impossível com a nossa tecnologia atual. Uma série de empresas, da Novartis à Google, está em uma missão para combater o envelhecimento.

Imagine viver 10 anos mais do que o esperado, sentindo-se algumas décadas mais jovem do que sua idade real, e tendo a agilidade mental e o físico de alguém com metade da sua idade. Quem não iria querer isso? Há evidências crescentes de que a nossa ciência biomédica atual é capaz de prolongar a vida humana por, aproximadamente, 10 anos. E muitas empresas têm juntado-se para focar seus trabalhos nesta poção mágica. Quando a GlaxoSmithKline investiu perto de US$ 720.000.000 na Sirtris Pharmaceuticals, que disse possuir uma droga capaz de combater o envelhecimento, foi dada a largada. Mesmo que esta aquisição tenha falhado miseravelmente, grandes grupos farmacêuticos e novas empresas de biotecnologia, como a Calico, da Google, começaram uma corrida para desenvolver uma droga antienvelhecimento. A Calico fez uma parceria com outra gigante farmacêutica, a Abbvie, e está em uma missão de de US$ 500.000.000 para reverter a engenharia biológica que controla o tempo de vida, a fim de permitir que os seres humanos tenham uma vida mais longa e saudável.

Atualmente, existem mais de 100 drogas que combatem o envelhecimento. Um desses compostos, que alcançou proeminência na ciência relacionada ao avanço da idade, foi o resveratrol. O resveratrol é a razão pela qual muitos médicos incentivam o consumo de vinho tinto. Ele ativa uma enzima que, afirma-se, retarda o envelhecimento. Por isso, muitos farmacêuticos o encararam como uma droga potencial, como a Sirtris. Embora os efeitos do resveratrol em roedores tenham apresentado melhorias significativas, surgiram questões acerca da sua eficácia em seres humanos. Nos últimos anos, um outro composto, a rapamicina (TOR), surgiu como uma via fundamental que medeia a extensão da vida.

Uma das empresas na vanguarda dessa pesquisa é a Novartis. O fármaco da Novartis é uma forma de rapamicina, um composto que bloqueia vias genéticas que causam o envelhecimento. De acordo com uma pesquisa com 200 pessoas que receberam o tratamento de rapamicina voluntariamente durante um período de semanas, houve uma resposta imune 20% mais forte quando a vacina contra a gripe foi administrada. Embora esta droga não deva estar disponível para comercialização por, pelo menos, 10 anos, o potencial de um produto viável poderia criar um novo segmento no mercado antienvelhecimento.

No entanto, até o momento, o mercado não-regulado do antienvelhecimento fica limitado a muitos produtos como o Basis, da Elysium, uma pílula azul que causa os mesmos efeitos de uma dieta de baixa caloria, e que provou fazer ratos viverem mais tempo. A droga deverá ser rentável, apesar da ausência de testes em humanos.

Até aqui, permanece incerto se compostos como o resveratrol e similares têm efeito significativo sobre os seres humanos. Embora o mercado de suplementos "antienvelhecimento" não-regulamentados, que contêm resveratrol, provou ser um negócio lucrativo, há muita pouca evidência do efeito da droga na luta contra o envelhecimento. Em contraste com o resveratrol, existe abundante literatura indicando que a rapamicina tem a mesma eficácia que supressores imunológicos e fármacos anticancerígenos. Este composto já passou por testes em humanos contra várias doenças e tem melhor chance de obter a aprovação da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) do que o resveratrol. Essa aprovação provavelmente irá erradicar o mercado não-regulamentado das drogas antienvelhecimento.

O que o futuro reserva para a indústria? Será que esses produtos trarão reembolso ou vamos ter de pagá-los do próprio bolso? Com as crises econômicas atuais na área da saúde, é bastante evidente que essas pílulas não trarão reembolsos, o que põe em cheque o público-alvo desses produtos.

É muito provável que esta droga não seja aprovada para fins cosméticos, e que a FDA a analise nos termos da regulamentação da indústria farmacêutica. O que isso significa é que antes que a droga entre no mercado, ela vai precisar da aprovação da FDA, ao passo que as drogas atuais, como a Basis, já relacionadas à indústria cosmética, não necessitam de aprovação antes do lançamento de um produto. Não será possível para as empresas farmacêuticas como a Novartis comercializar a droga como um cosmético, uma vez que a FDA vai exigir testes de segurança e eficácia a longo prazo antes da aprovação.

Agora que viver para além dos 100 anos pode se tornar uma realidade, precisamos começar a olhar para as implicações desse progresso. O que isso significa para a nossa sociedade e, mais importante, para os sistemas de saúde que já estão em crises? A tendência atual de envelhecimento da população, combustível para os gastos médicos, vai ser revertida. Há esperança de que, com esse modelo preventivo de saúde, os custos irão diminuir à medida que as pessoas permaneçam saudáveis enquanto envelhecem. Mas este envelhecimento retardado também vai significar mais pessoas vivendo sob pensões e benefícios do Estado por mais tempo. Nosso sistema econômico terá que mudar drasticamente para acomodar a crescente força de trabalho, que provavelmente vai trabalhar mais do que nunca. O sistema apresenta uma enorme oportunidade para novas indústrias florescerem e florescerem visando a população idosa, que provavelmente vai se tornar o maior grupo etário de todos nos próximos 20 anos.

Este artigo foi escrito com a contribuição de Aishwarya Vivekanandan, analista industrial com experiência na área da Saúde e Ciências da Vida pela Frost & Sullivan.

Artigo de Reenita Das, originalmente publicado em Forbes.com.

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